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class="gkFeaturedItemTitle" Remédio Amargo

  • Categoria: Ricardo Leite
  • Publicado em Quinta, 31 Janeiro 2013 21:21
  • Escrito por Ricardo Leite

Ao adquirir experiência na vida, uma das coisas que aprendemos é que remédio amargo é o que dá resultado. É ruim, difícil e até cruel. Mas é o que vai curar.

Já falei isso pra minha filha. Nos momentos de maior preocupação com a saúde dela e reclamando do gosto do remédio, eu já disse "filha, remédio amargo é o que dá resultado".

Lógico que o ideal seria que Rogério Ceni não tivesse falado nada crítico após a derrota para o Bolívar. Mas também seria ideal que o time tivesse conseguido a classificação mantendo o resultado do primeiro tempo.

Acontece que há momentos da vida que nem tudo deve seguir o script de um mundo encantado. Há momentos em que alguém precisa levantar a voz. Não pra destruir. E sim para um chacoalhão.

Óbvio que vai surgir a questão "não poderia ser no vestiário?". Há momentos em que não. Há momentos em que o puxão de orelhas tem de ser público. Telê cansou de fazer isso. 

Lembro do São Paulo invicto num campeonato no começo dos anos 90. E de repente pegando a fraca Inter de Limeira no Morumbi. Tudo indicava que o São Paulo fosse atropelar. E o time tomou uma goleada. Telê saiu soltando faíscas pelos olhos e não amaciou para os jogadores. Disse que no vestiário a conversa seria dura e que não admitia jogador escolhendo partida pra enfiar ou tirar o pé.

Não temos Telê. Mas temos Rogério. Que não é apenas um jogador do clube. É ídolo, capitão, vencedor e o mais experiente.

Rogério viu esse tipo de atitude em derrotas absurdas contra Avaí e Coritiba na Copa do Brasil. Ou contra o Cruzeiro na Libertadores, jogo que culminou com a queda de Muricy.

Não quer que o torcedor seja obrigado a passar por isso de novo. Então, resolveu crucificar seu bom mocismo e meteu remédio amargo goela abaixo da turma.

O que ele ressaltou em outras palavras é que agora é o momento de assimilar a lição. O que aconteceu contra o Bolivar é um grande aprendizado. Libertadores não se pode dormir, mesmo com 3 x 0 a favor, senão o adversário janta você e ainda dá "olé".

São Paulo teve muitos méritos. Podia ter metido 5 gols no primeiro tempo. De repente parou. É inegável que parou. 

Me desculpe. Não altitude apenas. Foi atitude. 

Lembro de uma coisa que deixava o Muricy doido. O time jogava muito. Até fazer 1 ou 2 gols. Depois recuava demasiadamente no segundo tempo. E colocava a vitória em risco. Alguém se lembra que numa época deixamos de ganhar vários jogos por tomar gols após os 40 minutos do segundo tempo?

O Muricy pegava jogador pelos colarinhos no vestiário. Não tinha jeito. E percebia que alguns só ficavam preocupados quando ele cuspia marimbondos na coletiva. Percebia que se não obedecesse ele daria nomes. Dagoberto morria de medo. Mas sabia que as "dagozetes" o defenderiam do mal humor do treinador.

Rogério já deve ter feito muito isto. E pra não deixar a porteira ser estourada resolveu comprar cadeado antes. Ou seja. Resolveu trazer pra cima dele a fama de malvado. Mas não quer ver outra Libertadores ir embora e encobrir gente que perde o foco no meio do jogo.

Repito. O ideal era no vestiário. Mas tem momentos que o chacoalhão tem de ser público sim. Que história é essa? Alguns jogadores podem resmungar por aí ou fazer beicinhos. 

O que não pode é o clube despejar dinheiro, contratar gente cara e o time tirar o pé na hora H. Chega de encobrir Dagobertos da vida. 

A torcida do São Paulo não pode tolerar esse tipo de comportamento porque uns ou outros são apaixonados por este ou aquele jogador. Todos têm de suar sangue até o apito final.

Altitude é um crime. Como é um crime jogar no Rio de Janeiro com 39 graus na cabeça às 4 da tarde.

Estamos no século 21. Há times que chegaram na altitude e souberam se impor. O próprio São Paulo já fez isso. E o fez no primeiro tempo.

Inegável que no segundo tempo o time cansou. Mas uma coisa é cansar. Outra é perder o foco, não disputar as jogadas ou assistir o adversário arrendar grande sua área.

Outra coisa. Os 4 gols que o São Paulo tomou. Enxergo a mesma coisa que o Rogério Ceni. Se o São Paulo tivesse tomado gols em contra-ataques em que o atacante tivesse ganho na corrida, concordo que tudo foi mera culpa da altitude ou ar rarefeito. Veja o pênalti que o Rhodolfo cometeu: não era um lance de pânico. Menosprezou o atacante e quase tomou um chapéu. No reflexo, levantou o braço e cometeu o pênalti.

Há um gol em que todo mundo está dentro da área e o sujeito do Bolivar sobe sozinho e cabeceia no canto. Quando você vê o lance por trás da trave, antes da cobrança, percebe o erro de posicionamento e a desatenção na marcação. Pareciam não acreditar que a bola seria perigosa.

Não foi corrida. Não foi falta de fôlego. Não foi velocidade de bola. Simplesmente teve gente que achou que não iria acontecer nada e ficou por ali. Lembra (respeitadas devidas proporções) do Roberto Carlos ajeitando chuteira e meião na Copa de 2006?

Entenda. Não acho que o time mereça ser crucificado. O que valeu foi a classificação. Fomos lá pra isso. Na final da Libertadores de 1993 foi assim. Goleamos aqui e chegamos lá, tomamos um sufoco dos chilenos e quase entregamos um título ganho. Essas coisas acontecem.

Rogério foi muito claro. O problema não foi perder. Santos de Neymar foi lá ano passado e sofreu. O problema foi como isso aconteceu.

Temos de dar apoio ao time, apostar nos jogadores e comissão técnica. O trabalho está sendo muito bem feito. Mas a forma como entregamos o jogo ao Bolivar foi algo que deve servir de alerta. E lição. Num mata-mata na Libertadores isso pode custar caro. Já tivemos exemplos assim recentemente.

O time tem de estar ligado os 180 minutos. Rogério sabe que não deve ter outra chance de Libertadores em alto nível. Não gosta de perder. Ainda mais quando talvez não esteja mais no ano que vem.

E sabe que tem história suficiente, experiência e saopaulinidade mais do que suficiente pra dar um chacoalhão.

Marcos fez isso no Palmeiras. Teve sempre quem achou ruim e ficou de beicinho articulando contra. E foram exatamente os jogadores que mais tarde demonstraram não estar nem aí se o Palmeiras está por cima ou por baixo.

Converse com qualquer diretor de futebol experiente. Não se deve falar em público, lavar roupa suja. Agora, cobrar atitude, tem horas que é necessário. Ver se o elenco tem um pouco de vergonha na cara pelo que aconteceu.

Rogério não teria o meu apoio se chegasse e falasse que o ataque abandonou a defesa. Ou criticasse publicamente seus zagueiros pelos gols pelo alto ou pelo pênalti infantil. Ele não fez isso. Foi nobre. Consciente e profissional. 

Ele apenas não é um jogador que fala errado ou que responde com as mesmas respostas decoradas. Ele faz uma análise tática. 

Na saída de campo não crucificou este ou aquele. Falou num geral. Inclusive se colocou no meio. Criticou a apatia do time. Como 99% dos torcedores do Twitter ou Facebook. E como 100% dos comentaristas. Ele falou o que todo mundo viu. Sem citar nomes ou jogar alguém na fogueira.

Seria anti-ético se jogasse a responsabilidade publicamente em fulano ou beltrano. Falou no geral. Analisou o que todo mundo viu. E aplicou um remédio amargo. Declarações nada convencionais. Jogou xadrez. Provocou um choque. Um choque positivo com boa dose de remédio amargo. Ou reage agora ou não chore depois.

Até porque o Rogério Ceni não é chegado em copinho de água com açúcar. Se é pra fazer algo, que seja com remédio amargo. Na veia.

Achar que aquele patético segundo tempo foi normal, uma beleza ou aceitável e que tudo foi culpa da altitude é abrir mão de cobrar ATITUDE mais tarde. Altitude não pode encobrir a ATITUDE. 

class="gkFeaturedItemTitle" Ganso Vem Aí

  • Categoria: Ricardo Leite
  • Publicado em Domingo, 27 Janeiro 2013 08:58
  • Escrito por Ricardo Leite

Imagino que você já tenha lido em todos os sites ou até mesmo quem acompanhou a nossa transmissão pelo www.saopaulodigital.com.br que o Cañete agradou e muito.

Aliás, eu venho falando há tempos que Cañete é melhor que Vargas e qualquer outro que o São Paulo andou tentando nos últimos tempos.

Mas quero olhar a vitória do São Paulo sobre o Atlético Sorocaba, neste sábado 26, no Morumbi, sob um ângulo diferente.

Assim como já externei a opinião que alguns jogadores perderam a chance de mostrar trabalho e vontade neste jogo recheado de reservas de luxo, acho que o Ganso soube aproveitar para mostrar que está evoluindo e se recuperando.

Ele vem de uma cirurgia e recuperação física no final de 2012. Começa 2013 um pouco abaixo dos demais. Mas já demonstrando que vai recuperar o terreno perdido. E será titular. 

Após o jogo, o próprio técnico Ney Franco disse que o Ganso "vem trabalhando pra ser titular". 

Durante a partida, alguns mais apavorados como sempre, destilaram críticas ao Ganso pela lentidão do meio-campo. Mas o problema não era ele. Estava cercado por Casemiro e Maicon. Sim, estava cercado por aquele meio campo do ano passado que era presa fácil para os adversários por se tratar de jogadores com potencial mas que atravessam uma fase "lenta".

Ganso é jogador no estilo Kaká. A bola vem e ele já pensou em duas ou três possibilidades do que fazer com ela. O problema é quando ela demora pra chegar. Essas possibilidades diminuem. Dá tempo do adversário chegar "chegando" e destruir.

Kaká e Ganso recebem a bola e já dão prosseguimento. Kaká teria hoje dificuldades pra jogar com Maicon e Casemiro. Jadson sofreu com isso no ano passado. E como sofreu. Seu futebol melhorou quando passou a ter a companhia de Wellington e Denilson, que distribuem rápido, não enrolam e após tocar não ficam assistindo: eles fazem a passagem pra dar opção de toque. E com Lucas e Osvaldo na frente, Jadson conseguiu fazer o seu jogo de toques rápidos.

Então, contra o Atlético Sorocaba, não foi o Ganso que foi mal. O meio de campo do São Paulo tinha características lentas. E quando a bola finalmente chegava no Ganso, todas possibilidades de surpreender o adversário já tinham sido desperdiçadas.

Mesmo assim, Ganso deu chapéu, fez 4 assistências para 3 finalizações certas, sendo 2 defesas do goleiro e o golaço de Cañete, que acertou uma paulada no ângulo. Sim, foi o Ganso que deu assistência ao golaço do Cañete.

Numa tarde fria, chuvosa e com algumas peças num sono danado, eu vi momentos de luz nos pés de Paulo Henrique Ganso. E olha que o gol foi de cabeça.

@RICARDOLEITE01

class="gkFeaturedItemTitle" Má Vontade Da Mídia

  • Categoria: Ricardo Leite
  • Publicado em Domingo, 20 Janeiro 2013 11:28
  • Escrito por Ricardo Leite

Está cada vez mais claro que alguns sites (UOL, GLOBO, TERRA, IG,etc) e jornais estão impregnados de novos jornalistas que não tem a experiência suficiente pra separar a paixão clubística do lado profissional.

A vitória do São Paulo contra o Mirassol, na estréia do Paulista, é o retrato claro disto.

Antes da partida, já comentávamos na transmissão pelo www.saopaulodigital.com.br e nas mídias sociais, que era natural que o São Paulo não goleasse o adversário porque todo início de temporada é a mesma história: times grandes começam a preparação mais tarde.

Este ano, o chamado Trio De Ferro ainda tem o agravante de se preparar também pra Libertadores.

O que os jovens comentaristas não perdem é a chance de desmerecer um resultado. E buscam enaltecer as falhas em diferentes proporções dos elogios.

Os times do interior tem um calendário mais enxuto. Por isso podem começar os treinos no final de novembro. Quando o regional começa em janeiro, já estão entrosados e com a potência física elevada. Ao contrário dos grandes clubes que disputam competições até dezembro e só voltam das férias na segunda semana de janeiro.

No jogo de estréia, Rogério Ceni, Lucio, Ganso e Luis Fabiano (pelo gol) foram os destaques. Justamente os mais experientes. O time todo se comportou bem. Até quando teve a calma pra superar a natural ofensividade do Mirassol nos 10 minutos iniciais do segundo tempo.

O técnico Ney Franco foi bem nas substituições, poupando jogadores cruciais para o jogo da pré-Libertadores.

Agora, a má vontade da mídia é algo incrível. O São Paulo dominou boa parte do jogo. Falar em pressão por causa dos 10 minutos no segundo tempo é coisa de quem não assistiu o jogo. O Mirassol estava perdendo por 1 x 0 e voltou com alteração tática pra apertar a marcação. Isso dificultou a saída de bola do São Paulo gerando lances perigosos.

Mas o técnico Ney Franco também mudou a configuração tática do São Paulo e o time retomou rápido o controle do jogo e se tivesse forçado poderia ter conseguido uma goleada.

Talvez os jovens comentaristas não tenham percebido que é tradicional o predomínio de equipes do interior nas três ou quatro primeiras rodadas. Depois terminam o campeonato contentes por disputar o troféu de campeão do interior.

class="gkFeaturedItemTitle" Sócio Torcedor Começa Mais Justo

  • Categoria: Ricardo Leite
  • Publicado em Domingo, 13 Janeiro 2013 10:35
  • Escrito por Ricardo Leite

Há muitas coisas que o São Paulo faz que o torna um clube diferenciado, com 10 anos de vantagem aos adversários.

Mas há decisões da direção do clube em alguns momentos que nos levam a crer que os dirigentes não se ligaram nas atualidades do século 21.

Tínhamos um programa Sócio Torcedor que não prestigiava em nada quem era membro. Era como se fosse a caixinha da igreja. Você vai lá e dá o dízimo pelo fato de se sentir bem por estar colaborando sem receber quase nada em troca.

Agora parece que isso está mudando. Com o novo programa Sócio Torcedor, com parceria da AMBEV, dá a impressão que teremos um programa ST mais justo e atraente.

Mais justo pelo seguinte: quem faz parte do ST já tem prioridade pra comprar ingressos pra estréia do Paulista e da Libertadores. 

No caso da Libertadores, quem é ST já está comprando sendo que as bilheterias aos "comuns" estarão disponíveis após o dia 19. Ou seja, até dia 18, o ST tem prioridade pra comprar ingressos.

Bem ao contrário da suruba e do salve-se quem puder que aconteceu na final da Sul Americana 2012. Se bem que aquilo serviu para algo bom: sepultar o já desatualizado e moribundo ST que o São Paulo tinha.

Eu ainda não sou Sócio Torcedor. Mas confesso que estou começando a ficar muito atraído pelo programa.

class="gkFeaturedItemTitle" Perigo Silencioso

  • Categoria: Ricardo Leite
  • Publicado em Quarta, 09 Janeiro 2013 07:54
  • Escrito por Ricardo Leite

Que o São Paulo reforçou e melhorou é indiscutível. Tem jogadores de mais qualidade do que nos últimos 4 anos.

Mas há um perigo silencioso que está passando despercebido de boa parte da torcida.

O time titular, com um ou outro debate sobre este ou aquele jogador, é muito bom. Temos aí o Rogério, Douglas, Lúcio, Rhodolfo e Cortez, Wellington, Denilson, Ganso, Jadson, Osvaldo e Luis Fabiano.

O que me preocupa é o fato de terem saído alguns jogadores para Grêmio, Santos e até para o exterior. E com exceção do ataque, aonde vieram Aloísio, Wallyson e Negueba (este ainda se contundiu) há setores aonde você não encontra no banco uma variedade tão grande de opções.

A volta do bom Carleto vai dar trabalho ao Cortez. Tolói será uma boa sombra na zaga. E o Paulo Miranda como excelente opção na lateral direita.

Mas temos uma quantidade considerável de competições pela frente.

Sempre vão aparecer os conformados para fazer tudo parecer simples e que está bom assim. Mas pra quem vive o futebol e sabe que surpresas podem acontecer (veja o caso do Negueba) sabe que o erro dos últimos dois anos é que na hora H os técnicos não tinham um banco de reservas no mesmo padrão.

A diretoria diz que trabalha com a possibilidade da vinda de uma "cereja", além do Vargas. Temos alguns garotos da base. Mas confesso que não vejo nenhum assim que vá entrar pra brigar pra ser titular. Nem o próprio Ademilson, que caiu muito no segundo semestre de 2012.

No entanto, pra não dizer que não alertei, com a saída de alguns nomes (e olha que não eram nada daquilo) e a possível saída de outros (João Filipe, Juan, Casemiro, etc) eu acho que o time titular é bom. Mas volto a me preocupar com o banco de reservas. Me parece um perigo silencioso porque não são todos que vão concordar.

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