Os clubes deveriam se unir ao poder público em prol do torcedor, por @helton_tavares
- Escrito por Helton Tavares
Futebol, uma grande paixão nacional e que nem de longe é explorada da forma que poderia ser. É fácil vermos grandes clássicos com estádios vazios, e jogos simples nem se fala então. Este é só um exemplo da fraqueza deste esporte que poderia ser muito mais forte no nosso país. Mas, por que isso?
Tenho plena convicção que seja pelo tratamento desleixado que os torcedores recebem, e digo torcedores de todos os times. Mas esse erro não vem só dos clubes, vem principalmente do poder público de nosso país que sempre foi uma piada.
É lamentável não termos uma estrutura de transporte público decente e com programas específicos para atender aos eventos esportivos. Como podemos ter um sistema de metrô que se encerra antes dos términos das partidas? Como podemos não ter uma quantidade extra de ônibus para um horário de pico de saída de estádio? Como podemos ter que pagar a trombadinhas até R$ 50 para estacionar nossos carros na rua? Esses são só alguns exemplos.
Isso cansa o torcedor, que tem que cumprir um grande desafio na sua rotina para conseguir acompanhar o time do coração em campo. Além de todo este problema de acesso, o torcedor também sofre com as estruturas e preços salgados. Me assustei ao ter que pagar R$ 44 para assistir o jogo do meu time numa simples arquibancada no jogo desta quinta-feira, isso com desconto de sócio! Acho fantástica a iniciativa do São Paulo que passou a oferecer um setor popular a R$ 10 em jogos no Morumbi, e penso que isso deveria ser disseminado por todos os clubes, mas por que não também em jogos de seu mando fora de casa?
Se formos fazer uma conta baixa de que o torcedor paga por jogo uns R$ 70, contemplando transporte, ingresso e alguns gastos no local, e supor que ele vá a jogos umas 15 vezes no ano, podemos chegar a conclusão que este não gasta menos de R$ 1000 na temporada. Sem falar em produtos do clube que ele consome, como uma camisa oficial que custa cerca de R$ 200.
Ou seja, o torcedor paga caro por um pacote que oferece pouco. Não importaria em pagar essa quantia se o pacote oferecesse realmente qualidade. Hoje há um movimento de união dos principais clubes envolvendo seus programas de sócio-torcedor (Movimento Por Um Futebol Melhor) que já está dando um grande passo no quesito atenção e benefícios. O do São Paulo, especificamente, deu um avanço estrondoso. Então, por que não os clubes se aliarem também ao poder público para melhorias fora da arena esportiva? Uma simples pressão para uma segurança digna e eliminação da raça de cambistas e flanelinhas já seria um grande e simples passo. Fico indignado em ver esse tipo de gente em todos os jogos que frequento dividindo espaço com policias que nada fazem, e mais ainda em ter que pagar um cara para não roubar meu carro na rua.
Se os clubes soubessem a força que têm e a utilizasse para o bem de seus torcedores, tenho certeza que teríamos um outro tipo de infraestrutura no Brasil, como esquemas especiais de transporte para os dias de jogos. Assim todos saem ganhando, pois quanto mais gente consumindo futebol no país, maior é a geração de renda e emprego. É uma matemática simples.
Talvez o grande mal seja o comodismo ao ver que, por conta da paixão alucinada pelo time, já há loucos o suficiente para consumir o futebol. Falta ambição, pois o Brasil poderia ser realmente o País do futebol.
Enquanto isso, teremos clássicos com público de 25 mil pessoas em arenas com capacidade para 60 mil, além de um estatuto do torcedor jogado às traças...
Helton Tavares
No Twitter: @helton_tavares
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